segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Breve Biografia de Charles Spurgeon


“Espero que meu Mestre chegue a alguns de vocês e lhes diga, ‘tu és meu’. “

Houve época em que o simples fato de optar pela religião evangélica equivalia a colocar a cabeça a prêmio. No século 15, Carlos V, o imperador espanhol, queimou milhares de evangélicos em praça pública. Seu filho, Filipe II, vangloriava-se de ter eliminado dos países baixos da Europa cerca de 18 mil "hereges protestantes". Para fugir da perseguição implacável, outros milhares de cristãos foram para a Inglaterra. Dentre eles, estava a família de Charles Haddon Spurgeon (1834-1892), o homem que se tornaria um dos maiores pregadores de todo o Reino Unido. A família de Spurgeon, escapando da perseguição contra os protestantes perpetrada por Filipe II, fugiu da Holanda para Inglaterra, por volta de 1570, estabelecendo na região de East Anglia. No século XVII, os Spurgeons sofreram dura perseguição incitada por Carlos II contra os não-conformistas (dissidentes da Igreja Anglicana que não aceitaram o Ato de Uniformidade de 1662). Anos mais tarde, os Spurgeons estabeleceram em Stambourne.
Charles Haddon Spurgeon nasceu em 19 de junho de 1834, como o primogênito de 16 irmãos, de John Spurgeon e sua esposa Eliza Jarvis, em Kelvedon, na área rural de Essex, Inglaterra.
Em agosto de 1835, seus pais mudaram para Colchester, e entregaram Charles aos cuidados de seu avô, com quem viveu até os 5 anos. Durante esse tempo, leu muitos livros, entre eles The Piligrems Progress, (em português "O Peregrino") de John Bunyan, obra que marcaria o resto de sua vida. Também leu, da biblioteca de sua avó, muitas obras de Puritanos, como Richard Baxter e John Owen. Aos seis anos, voltou a morar com os pais, já devidamente instalados em Colchester.
Em janeiro de 1850, adentrando em uma capela congregacional em Colchester, mais em consequência da forte nevasca que por vontade própria, nesse dia, o pregador não fora ao culto, por causa da grande tempestade de neve. Na falta do pastor, um sapateiro se levantou para pregar às poucas pessoas presentes, e leu este texto: " Olhai para mim e sede salvos, todos os confins da terra " (Isaías 45:22). O sapateiro, inexperiente na arte de pregar, podia apenas repetir a passagem e dizer: " Olhai! Não é necessário levantar um pé, nem um dedo. Não vos é necessário estudar no colégio para saber olhar; nem contribuir com mil libras. Olhai para mim, não para vós mesmos. Não há conforto em vós. Olhai para mim, suando grandes gotas de sangue. Olhai para mim, pendurado na cruz. Olhai para mim, morto e sepultado. Olhai para mim, ressuscitado. Olhai para mim, à direita de Deus ". Em seguida, fitando os olhos em Charles, disse: " Moço, tu pareces ser miserável. Serás infeliz na vida e na morte se não obedeceres ". Então gritou ainda mais: " Moço, olha para Jesus! Olha agora! " O rapaz olhou e continuou a olhar, até que por fim, um gozo indizível entrou na sua alma.
Spurgeon aproveitava todas as oportunidades para distribuir folhetos. Entregava-se de todo o coração a ensinar na Escola Dominical, onde alcançou, de início, o amor dos alunos e, por intermédio desses, a presença dos pais na escola.
Com 16 anos, pregou seu primeiro sermão numa casa de campo em Teversham. E em 1851, como pastor auxiliar, estava pregando regularmente para uma pequena capela batista em Waterbeach, em Cambridgeshire. Em Janeiro de 1852, Spurgeon aceitou o pastoreado efetivo dessa Capela.
Ao fim de dois anos, essa igreja de quarenta membros, passou a ter cem. Pregou em Waterbeach durante dois anos quando foi chamado a pregar na Park Street Chapel, em Londres. A New Park Street, sem pastor efetivo desde 1853, convidou o jovem pastor para ser testado por seis meses para assumir o pastoreado vago da Igreja.
Em 1854, apenas quatro anos após sua conversão, Spurgeon, então com apenas vinte anos, se tornou pastor da famosa Igreja Batista de New Park Street em Londres (anteriormente pastoreada pelo grande teólogo John Gill). A congregação rapidamente cresceu mais do que seu prédio poderia comportar, mudando-se então para o Exeter Hall, e de lá para o Surrey Music Hall. Nestes locais Spurgeon freqüentemente pregou para audiências com mais de 10.000 pessoas - e tudo isto em dias anteriores ao advento da amplificação eletrônica. Em 1861 a congregação se mudou definitivamente para o recém construído Tabernáculo Metropolitano.
Spurgeon publicou inúmeros livros. Milhares de sermões seus foram publicados e traduzidos para diversas línguas. Além de pregar constantemente a grandes auditórios e de escrever tantos livros, esforçou-se em vários outros ramos de atividades. Inspirado pelo exemplo de Jorge Muller, fundou e dirigiu o orfanato de Stockwell.  Reconhecendo a necessidade de instruir os jovens chamados por Deus a proclamar o Evangelho, fundou e dirigiu o Colégio dos Pastores. A oração fervorosa era um hábito em sua vida. Contava com trezentos intercessores que, todas as vezes que pregava, mantinham-se em súplica. Spurgeon escreveu 135 livros durante 27 anos (1865-1892) e editou uma revista mensal denominada A Espada e a Espátula.
Com o passar do tempo, Charles Haddon Spurgeon se tornou uma celebridade mundial. Recebia convites para pregar em outras cidades da Inglaterra, bem como em outros países como França, Escócia, Irlanda, País de Gales, Holanda e Estados Unidos (foi convidado a pregar em Nova York, e em diversas outras oportunidades na América, mas sempre recusou os convites). Spurgeon pregava não só em reuniões ao ar livre, mas também nos maiores edifícios de 8 a 12 vezes por semana.
Segundo uma de suas biografias, o maior auditório em que pregou continha, exatamente, 23.654 pessoas: este imenso público lotou o The Crystal Palace, de Londres, no dia 7 de outubro de 1857, para ouví-lo pregar por mais de duas horas.
Casou-se em 20 de setembro de 1856 com Susannah Thompson e tiveram dois filhos, os gêmeos não-idênticos Thomas e Charles.
Com Susannah, organizou suas economias para criar um fundo de livros para ministros pobres. Rejeitou o título de reverendo por questões de princípios e recusou-se a ser ordenado, por não possuir curso de teologia. Enfrentava graves problemas de saúde, inclusive às vezes entrando em depressão.
Spurgeon pregou seu último sermão no Tabernáculo Metropolitano, em 6 de junho de 1891.
Em 4 de janeiro de 1892 Londres parou para o enterro de Charles Spurgeon. Os ofícios de seu funeral foram realizados pelo amigo e pastor Archibald Brown, no cemitério de Norwood.


Referências:
SPURGEON, Charles H. A entrada triunfal em Jerusalém. São Paulo: PES,
2005.
FERREIRA, Franklin. Gigantes da Fé: espiritualidade e teologia na igreja cristã. São Paulo: Vida, 2006,  pp. 270-280.

Nenhum comentário:

Postar um comentário